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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Para Ti





Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

sexta-feira, 22 de abril de 2011

mais alto



Mais Alto

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo nao conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

Florbela Espanca

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser ou Ter



A nossa correria diária não nos deixa parar
para perceber se o que temos já não é
o suficiente para nossa vida.

Nos preocupamos muito em TER: ter isso,
ter aquilo, comprar isso, comprar aquilo.

Os anos vão passando, quando nos damos
conta, esquecemos do mais importante
que é VIVER e SER FELIZ!

Muitas vezes para ser Feliz não é preciso
Ter, o mais importante na vida é SER.

As pessoas precisam parar de correr atrás
do Ter e começar a correr atrás do SER:
Ser Amigo, Ser Amado, Ser Gente.

Tenho certeza de que, quando SOMOS,
ficamos muito mais Felizes do que
quando Temos.

O SER leva uma vida para se conseguir e
o Ter muitas vezes conseguimos logo.

O SER não se acaba nem se perde com
o tempo, mas o Ter pode terminar logo.

O SER é eterno, o Ter é passageiro. Mesmo
que dure por muito tempo, pode não trazer
a Felicidade... E é aí que vem o vazio
na vida das pessoas...

Por isso, tenta sempre SER e não Ter.
Assim sentirás uma Felicidade
sem preço!


SEJA FELIZ

Autor Desconhecido

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

recebi um e-mail que apelava ao sonho... dizia que era preciso sonhar, e que sonhar era ser feliz.

Eu sonho portanto sou feliz.
As vezes está tudo a cores
Outras é tudo incolor
Não sei o que se diz
Mas sonhar é permitir fazer
O que nos apetecer
Sem sair do lugar
é imaginar é voar é..
Ali mesmo podes sonhar
E o melhor?
Ninguem te vai julgar
Ora, porque não sonhar?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cai chuva do céu cinzento




Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa

sábado, 8 de janeiro de 2011

Incidente





Dói-me no coração
Uma dor que me envergonha...
Quê! Esta alma que sonha
Âmbito todo do mundo
Sofre de amor e tortura
Por tão pequena cousa...
Uma mulher curiosa
E o meu tédio profundo?

Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Insónias


Acordo durante a noite escura e fria
Apenas os pensamentos vagos me fazem companhia
Quero adormecer mas o som dos ponteiros não deixam
Lá fora nada ouço, é como se nada existisse porém
Aquele silêncio ténue pede-me um abraço
Mas não me dá descanso
Dou conta do tempo passar
São horas ocas, cheias de nada e tudo
Meros momentos vagos e sem cor
Preenchem a escuridão daquela madrugada
Que nem de mim dá conta existir
Inquieta-me a alma
Perde-se a calma
A manhã está breve
Quase o sol a nascer
Que posso eu fazer?
Queria dormir.
Não deixaram
Agora tenho de ir

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

vou com o tempo


Vou com tempo colorir
As paisagens de mar
Percorrer o azul das ondas
com um barco a navegar
Vou com tempo fugir
Para me deixarem sonhar
Fujo daquela gente
Esqueço o tempo
Saio da mente
Vou com o vento
Para onde me levar
Sem destino alinhado
Sem regresso marcado
Tenho um desejo!
Deixa-me dançar
Com os pássaros no ar
Fecho os olhos e vejo
O que quero acreditar
Assim…
Vou com tempo descobrir
O canto do vento
As lágrimas da chuva
E os risos do sol
Já vou!
Não perco mais tempo
Vou cantar ao vento
Chorar com a chuva
E sorrir com o sol
Pois aqui não há tempo
Ninguém quer sonhar
Aqui ninguém fala do vento
Aqui ninguém quer chorar
Já ninguém quer sorrir
Mais vale a pena fugir!
E hoje quero voar com o tempo.
Para voltar a sentir o vento.


Cláudia Martins

sábado, 14 de agosto de 2010

Há dias assim


Há dias assim
Que o sono não vem
Que o silêncio da noite me cansa
Enquanto já tudo descansa
Ouço música para adormecer
Tento apagar e esquecer
Mas fico apensar em alguém
Lembro-me do que já passei
O que queria ainda fazer
Passo pelo além
No som da melodia
Mas o que é certo
O sono não vem
E amanhã? De novo a folia
E já não demora! Está perto
De novo…
O escuro trás o silêncio
Que me quer adormecer
E fazer-me pertencer
A um sonho de criança
Mas eu
Recuso-me a esconder-me
No manto negro
E silêncio da lua
Queria apenas uma resposta tua
Para descansar…
Mas faz-me esperar!
E o sono teima em não chegar!
Há dias assim
Que alguém nasce em mim

Cláudia Martins

(foto minha de mim)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Longe mas perto


Fiz questão de te ouvir
Soltas-te a voz que me preenche
Voltei a renascer
Mais uma luz se acende
Sei que não percorro sozinha
A Rua que me leva a ti
Vou ouvindo
Vou-te de seguindo
O rasto do eco que deixas
Pelas calçadas
Já te sinto perto
Sou o tempo que nos distam
Mas tu não queres esperar
Vais andado
E assim não te consigo agarrar
Vou-te ouvindo
Ao longe
Que é perto
Apenas não vais na mão
Mas vais comigo
Levo-te embrulhado
Pendurado no peito
E quando o perto
For o aqui e agora
Já não te deixo
Ir mais embora
Quero ir par a par
Ouvir o som do caminhar
Ao longo das calçadas
Que por nós irão passar


Cláudia Martins

sábado, 17 de julho de 2010

Titulo (preciso de sugestões)


E o sol existe
Nasce para nos iluminar
Dar coragem para crescer
A aquele sorriso de manhã?
A ele ninguém resiste
Trás logo vontade de viver
E voltar ao amanhã

Se a lua cresce ao deitar
Bem para nos proteger
Faz criar a segurança
Durante os sonhos de criança
Que um dia há-de crescer
De tão longe sente-se a magia
De querer ir lá um dia
Ver a Terra embalada
Num sono profundo e descansado
Durante um sonho desmaiado


Cresce o sol de repente
Interrompe os sonhos de verdade
Mas viver na realidade
Sem voar nem imaginar
É perder a vontade
Na rotina rotineira
De fazer o que tem de ser
Mas sem querer
Bem a lua adormecer
E fazer os sonhos resplandecer
Ser…
Ter…
Fazer…
O que nos apetecer
Num mundo encantado
Que no real não parecer ser.


Cláudia Martins

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Voltar ao passado


Hoje abri as páginas do passado,
Fui ao álbum de recordações
Retirar do baú as fotografias
Que elevam as alegrias
Testemunhas das viagens, dos sonhos
Apenas velhos tempos
Registam alguns sentimentos
Que já vivi e partilhei
Que não voltarei a ter
Ficou ali mas está aqui
Tão presente
No coração e na mente
Afinal são memórias
Mas tão bom é recordar
E voltar a imaginar
Todas as histórias
Tal como aconteceu
E recordar é viver
A máquina do tempo
Parou e reviveu,
Soprou bem forte o vento
E com ele veio a vontade de partir
Para os algures que vivera
Mas …
Por breves momentos sorri
Pois, sei que está ali
Impresso e publicado
Mais um sonho realizado
Apenas e só é
Um bocadinho de mim
Mas que ainda não está no fim.

Cláudia Martins

domingo, 11 de julho de 2010

eu..




Sou prisioneira
Quando me limito a pensar
Sou a liberdade
Quando sonho em pleno
Sou a felicidade
Quando estás por perto
Sou a luta
Quando acredito de verdade
Sou a conquista
Quando alcanço o que desejo
Sou o desespero
Quando te vais embora
Sou a revolta
Quando não consigo alcançar
Mas sou a esperança
Que tudo é possível
Com alguma perseverança
Sou a Vitória
Porque quero acreditar
Que não há impossíveis a determinar
Que o longe é o perto
Que o medo de arriscar
Pode ser o medo de perder
Mas perder também é vencer
Perder é aprender
A renovar e a melhor
Isto sim… Acho que é o certo!


Cláudia Martins

Saudade ...




Trago em mim
As mãos vazias
Os pés descalços
Os meus abraços
Sem pedires
Fui ter contigo
Assim cheia de nada
Pronta a receber
Um colo
Um abrigo
Um porto-seguro
Queria apenas ouvir-te
Queria apenas sentir-te
Junto do peito
E ouvir o bater do coração
Deixar a saudade ir embora
Segredar com o silêncio
Sem palavras
E partir novamente
Sem demora
Para uma noite
Que nunca chegara
Outrora! Mas desejara
Que viesse agora!

Xiuuuuuuuuuu soa ao fundo
(mandaram-me parar)

Eu sei!
Sonho acordada
Mas despertei
Foi apenas a saudade
A dar manisfestos!

Fica a saudade
Para matar mais tarde
Não em sonhos durante o dia
Mas nem sabes a saudade
Daquele seu jeito de alegria.

Mas chegará o dia...
E a saudade vai embora
Novamente de mão vazia

Cláudia Martins

sábado, 10 de julho de 2010

noite de verão


A balada do violino
O som das ruas despidas
O eco de vozes tremidas
soam numa noite profunda
Com medo de errar
Surgem nas rotas traçadas
Sem bússola…
Perdidas no tempo
Disse adeus à melodia
Quis o silêncio da lua
Permanecer na rua
Parei nas calçadas
Sem jeito de olhar
Sem saber o que pensar
Mas quis ficar e ver as estrelas
Que do céu me estão a olhar
O som do mundo girava
Perdia-lhe o rumo
Deixei-me ficar por ali
E mesmo sentada
Fiquei a pensar em ti
Numa noite quente de verão

Cláudia Martins

sexta-feira, 9 de julho de 2010

sem titulo


Há tanto por dizer
Ainda há mais por fazer
Alegrias por construir
Mas parece tarefa difícil
Quase dá vontade de fugir
Faltam forças e alento
Mas, e se eu desistir?
Dilui por instantes o pensamento
Quebra-se os ecos do silêncio
E, não …
Desistir é que não
Desistir é enfraquecer
Perder o sentido de viver
É deixar morrer o riso
Mas, para sobreviver
Neste mundo inconstante
Temos de ser persistentes
Partir para a luta diariamente
Conquistar com o esforço
Pedacinhos de felicidade
Aprendemos a viver vivendo
Aprendemos a acreditar crescendo
Mas ambos sabemos
Que podemos receber
Um sim ou um não
Em tudo que arriscamos
Mas uma coisa é certa
Nao podemos perder
De vista o horizonte
E a esperança que é a fonte
Da nossa existência

Claudia Martins

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Noites de luar


Entra a noite pela janela
Vejo que está um belo luar
Hoje apenas a lua me esta a olhar
Nesta imensa escuridão
Parece que só ela está acordada
Ouve atentamente os nossos segredos
Sabe os nossos medos
Não tem alma nem coração
Enche o céu de magia
E hoje faz-me companhia
Conta histórias para adormecer
Às meninas com insónias
Porque o calor desta noite
Parece que não vai embora
Fico na janela agora
Para mais uma história
Com princesas, castelos e cores
Afinal é mais um sonho
Que entra na imaginação
De quem parte no encantador
Mundo da ilusão
Mas não quero adormecer
Sem me despedir do luar
Afinal só ele está aqui
Para as boas noites desejar.

Boa noite lua… faz dos meus sonhos realidade ( se me permitires fazer um desejo)


Cláudia Martins

sábado, 3 de julho de 2010

Pela mão


Nas linhas do tempo
Desenho sorrisos no rosto
Vivo nos sonhos que sonho
Perco-me em pensamentos
Penso que
Podia ser um peixe
Para conhecer as profundezas do mar
Podia ser um pássaro
Para voar com os ventos
E passar pelas nuvens do céu
Mas
Quero devolver sorrisos
Em dias escuros e cinzentos
Quero ser o ombro para te apoiar
No momento que precisar
Quero viver sonhando
Num mundo imperfeito
Sem as sombras da solidão
Mas quero ir pela mão
Para ter a certeza
Que não vou em vão
Mas sim pelo caminho
Que poderá ser o mais certo
Mas contigo
Se és meu amigo
Nada será deserto

sábado, 19 de junho de 2010

Voas-te...



É cedo demais para pensar no amanhã
Tarde será para agir e querer agora
Falta-me a coragem de que preciso
Que por magia outrora
Foi-se no céu embora
Caiu no chão o desespero
Ouço-te no céu baixinho
Vagueando entre as nuvens
Mas volta depressa agora
Preciso é do teu riso
Preciso de alento
Para fugir á realidade
E poder emigrar na eternidade
Quero ainda o teu olhar solene
Que preenche os vazios da alma
Preciso de sentir som dos teus segredos
Que percorre sem medos
As trevas da calma
Mas não voltas-te!
Foste nas asas no vento
Saborear os mares da terra
E eu? E eu…
Aqui fiquei
Perdi de vista o fundo
O rasto do cheiro teu
Assim permaneci
Sozinha com o meu «eu»
No vazio de um eco profundo
Mas como vontade de querer
Ser o que nunca serei
E conhecer as linhas do mundo


Cláudia Martins

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Saber sonhar


Saber sonhar
É ter coragem
Para despertar
Partir para uma viagem
Sem o fim a avistar
Levar na bagagem
O poder de fazer
Sonhos acontecer
É acordar no imaginário
Pintar às cores o cenário
Sem medo de arriscar
No ir e no voltar

Saber sonhar
É tocar a balada da vida
Pelas ruelas perdida
Sentindo pelo ar
A vontade de voar
Sem medo de cair
Mas é o poder de ir
À linha do horizonte


Saber sonhar
É falar com o coração
É agarrar o mundo na mão
Ser a personagem principal
Num sonho de criança
Ter nos olhos a esperança
De que tudo seja real
É dormir acordado
Por tempo indeterminado