terça-feira, 30 de março de 2010

Memórias


Registos marcados vão passando
Memórias registadas
Tempos que agora são lembrados
Cartas escritas
Mensagens trocadas
Momentos vividos
No além perdidos
Estarão em ti esquecidos?
De certo já esqueces-te
Quem fui
Quem sou
O que fiz
Resta a memória de um tempo feliz
Que partilhamos
Que outrora sonhamos
Fica a lembrança
Espero um dia, voltar a ver-te
De um dia sorrir outra vez
Fica a esperança
De encontrar e rever-te
De abrir o livro da memória mais uma vez
Bons tempos que tenho contigo
Ficou ali um bom amigo

Cláudia Martins

sábado, 27 de março de 2010

O tempo anda trocado



Coisas entranhas parecem acontecer
Então que chegou a Primavera
Ainda ontem nevou na serra
Em vez do sol devolveram-me a chuva
Move-se o vento e o frio pela rua
As flores que querem nascer
Parecem encolhidas e refugiadas
O verde da natureza está hominizado
Anda tudo trocado
Mas fico cansada deste tempo
Que anda uns dias certo
Por vezes anda incerto
Indeciso
Imprevisível
Voltar ao amanhã
É regressar à novidade
O que nos esperará?
Ninguém sabe
Volta primavera
Queria saborear
O perfume das flores
Olhar à minha volta
E ver tudo com cores
Mas tu estás atrasada
Fico triste e desanimada
Com o cinzento o frio e o vento
Só tu me trazes alento
Para acordar
Rir, sorrir e Amar
Sai por detrás das cortinas
E anda para o Palco representar
Aqui esperarei
Quero ver o teu olhar
O teu sorrir e o teu sol a brilhar

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dormia ao som do piado



Que bem sabia

...

Noites


Soa em mim o eco,
Faz-me arrepios o silêncio
Este vazio instalado
Permanece mais uma vez calado
Que o som da noite de agora
Vá só por instantes embora
Queria ficar descansada
Esperar assim, deitada
Que venhas de mansinho
Deixar o teu beijinho
É noite de luar
Hoje não queria voltar
A ter pesadelos no sonhar
Realmente seria bom
Acordar sem aquele som
Precisava de saborear o prazer
De adormecer e esquecer
O que durante o dia aconteceu
Assim iria adormecer
Na inocência
De que nada de mal se passou
Precisarei eu de paciência?
Enquanto o cansaço me está envolver
As noites vão passando
Na esperança de um dia poder ter
Um sono acabado
Noites de revolução
Mente perdida
Alma na escuridão
Sinto-me esquecida
Até que um dia possa dizer
Finalmente dormi como deveria ser!
Vou tentar descansar
Porque amanhã o dia cedinho vai começar


Cláudia Martins

Lágrimas Ocultas


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, 24 de março de 2010

Acordei


Acordei mesmo a instantes. Apetecia-me algo...
Lembrei-me que não vinha aqui á algum tempo e decidi regressar, também nem sei o que escrever ainda...
Os dias têm passando muito de pressa, ansiei a primavera e ela chegou num instante, mas parece que só foi mesmo o dia de comemoração, porque a chuva lá fora voltou. Ando por aqui e por ali... sempre com coisas para fazer, quando chega o fim do dia, que é a hora que finalmente tenho algum tempo, estou cansada e não tenho apetite para nada. Deito-me sobre a almofada e tento dormir sobre os sonhos, emergem os pensamentos vagabundos... rebolo entre os lençois...lá acordo não sei onde estou, sustenho a respiração, e penso "não foi nada e já passou". Ainda é cedo e volto para o mesmo sitio que partira, o sonho.
Chega o dia, começa tudo outra vez e tem sido assim estes dias.
São dias desassossegados, com cansaços acumulados.
Mas faz tudo parte, porque ainda não entrei no relógio da rontina.
Vou para a vida que corre lá fora, ainda tenho muito para fazer hoje.
Já é dia
Acordei!

sábado, 20 de março de 2010

Olhares



Olhares do mundo
Voz da alma
Sonho profundo
Silencio que acalma

Reflexo perdido
Pensamento no além
Tempo vivido
Medo de alguém

Olhar de quem chora
Tristeza que vem
Alegria que vai embora
No ombro de quem?

Primavera que nasce
Corrente que corre
Flor que floresce
Amor que não morre


Ruídos de dor
Coração ausente
Pobre alma quente
Que perdeu o calor

Deambulando sentadas
Ouvem ruídos de vozes
De pessoas que stressadas
Fogem das rotinas velozes

Seres que ficam calados
De não ter com quem falar
Permanecem assim sentados
Vendo pessoas a andar

Olhares dos mundos
Olhares vividos
Olhares de mudos
Olhares sofridos
Olhares calados
Olhares esquecidos
Olhares escondidos

E é assim que nos...

Cruzamos diariamente
Com olhares marginalizados
Sentimentos rasgados
Por tempos indeterminados

Cláudia Martins

sexta-feira, 19 de março de 2010

Porque hoje é dia do Pai


Hoje não fez Sol
O dia ficou pelo encoberto
Mais um dia de cansaço
Mais um dia que chega ao fim
Um dia ainda pelo descoberto
É só mais um
Mas hoje não é um dia assim
Tão comum
Hoje festeja-se o dia do Pai
Todos nós temos um
Embora se deva dizer sempre obrigado
Por vezes passa-nos ao lado
E lá vem o dia marcado
Lá vem o momento relembrado
Assim é constantemente
Numa rotina incasável
Mas o Pai está lá sempre
Dia a pós dia presente
Para nos dar uma vida confortável
Para nos dar amor e carinho
E por vezes deixo-o sozinho
Desculpa por estar ausente
Tanto tempo distante
Mas vida traçou assim
O tempo parece não ter fim
Um dia me sentarei ao teu colo
Relembrar os tempos da infância
Quando ainda era criança
E davas-me consolo
Brincávamos às escondidas
Fazias-me os deveres da escola
Histórias vividas
Agora sou grande
E o tempo correu depressa
Não se fazem desenhos para dar
Nem postais com colagens
Usa-se o telemóvel para comunicar
E pronto é o que te posso dar
Sei que não vais ler o que estou a escrever
Mas fica aqui registado
Há espera que um dia
Venhas ver
Obrigada
Pela dedicação
Trago-te no coração
…

quinta-feira, 18 de março de 2010

terça-feira, 16 de março de 2010

Não voltamos

Que te posso dar?
Que não me tenhas dado tu
Que posso fazer?
Que não me tenhas feito tu
Que posso dizer?
Que não me tenhas dito tu
Tudo o que te dou
Tudo o que tu dás
Tudo o que tenho
Tudo que o terás
Aqui venho uma vez
Procurar algo que não vês
Serás que terás
Aquilo que prevês?
Queria continuar
Aqui sentada e esperar
Sei lá que queres que diga?
Que queres que faça mais?
Manda-me calar
Se não queres que te diga nada
Se não queres que te dê nada
Renasce em mim
Torna-me um ser sem fim
Já não há mais nada que posso partilhar
Resta-me os bons momentos contigo
Senão tivesse amor para dar
Senão tivesse esse ombro amigo
Corres quando mais preciso
Nem precisas fazer, dizer ou ter
No momento não perdes tempo
Será que ficas indeciso?
Eu também fico por vezes
Mas sei que olhas por mim
E que me dizes que sim
Não te esqueças
Nem desapareças
No silêncio te peço e te rezo
Embora seja desatenta
Sei que sou negligente
Roubas-te a minha avó
Não penses que fiquei contente
Mas ela vivia só
Nem a visitei quando estava doente
Não tinha ninguém que cuidasse dela
Sinto-me mal agora
Mas é tarde para arrependimentos
Andamos todos desatentos
Mas sei que foi o melhor
Mas cuida bem dela por favor
Ainda haverá por ela aqui amor
Sinto que ela está mais feliz assim
O céu é o seu fim
Agora tem as estrelas e os anjos
Agora vê-me todos os dias
Se tiveres aí e puderes dizer alguma coisa
Diz-me apenas que te encontras bem
Eu ficarei também.
Até um dia
Um dia te verei
Não te sintas sozinha
Agora tens muita companhia
Sem mais nada a dizer
Despeço-me com um até já
Um até breve! Descansa em paz…
Cuida de nós!
Juntos estão no céu os meus avós.


Perdi muito tempo comigo e esqueci um pouco a doença da minha avó, passou tempo que nao a fui visitar,acabou de falecer... será que ainda deva chorar? Devia ter vergonha... nem consigo ir dizer-lhe adeus... agora nao se arrepende agora nao há tempo para pedir desculpa nem dá tempo para arremediar! é tarde de mais para tudo... rezar talvez ela vá precisar.

Cláudia Martins